Neurolocalização medular: C1–C5, C6–T2, T3–L3, L4–S3

Neurolocalização medular em cães e gatos: sinais esperados nos membros torácicos e pélvicos em cada segmento, Schiff-Sherrington, panículo e casos curtos.

Por Equipe AjudaVet··5 min de leitura
Ilustração de um cão de perfil com a coluna dividida em quatro regiões coloridas, do pescoço à cauda

Você terminou o exame neurológico e tem uma lista de achados: reflexos, tônus, reações posturais, panículo, bexiga. E agora, onde está a lesão? A neurolocalização medular divide a medula em quatro regiões funcionais e transforma esses achados num endereço. Saber esse endereço define qual exame de imagem pedir, onde operar e quais diagnósticos diferenciais fazem sentido.

A lógica em uma frase

Cada par de membros é classificado como normal, NMS ou NMI, como você viu em neurônio motor superior x inferior. Os reflexos que sustentam essa classificação e como testá-los estão em exame neurológico: reflexos espinhais. A combinação dos dois pares aponta a região.

A tabela que você precisa saber

Região Membros torácicos Membros pélvicos Pistas adicionais
C1–C5 NMS (paresia, reflexos normais ou aumentados) NMS Dor cervical; tetraparesia ou hemiparesia; pode haver comprometimento respiratório em lesões graves
C6–T2 NMI (reflexos diminuídos, atrofia) NMS Marcha de passos curtos nos torácicos e longos nos pélvicos; possível síndrome de Horner; panículo ausente em um ou ambos os lados
T3–L3 Normais NMS Dor toracolombar; corte do panículo; possível Schiff-Sherrington; bexiga de NMS
L4–S3 Normais NMI (patelar ou retirada diminuídos) Perineal diminuído, cauda flácida, bexiga e esfíncter anal de NMI quando há envolvimento sacral

Algumas observações:

  • Em C1–C5, os torácicos às vezes parecem menos afetados que os pélvicos, porque as vias dos pélvicos são mais periféricas e longas. Isso não muda a localização.
  • Em C6–T2, a síndrome de Horner (miose, ptose, protrusão da terceira pálpebra) aparece quando a lesão atinge os segmentos ou raízes de T1–T3, por onde sai a inervação simpática pré-ganglionar do olho.
  • Em L4–S3, vale subdividir: L4–L6 compromete o patelar (femoral); L6–S1, a retirada (isquiático); S1–S3, o perineal, a bexiga e o esfíncter.
Medula espinhal do cão dividida em quatro regiões, com as intumescências cervicotorácica e lombossacra enviando nervos aos membros
As duas intumescências abrigam os neurônios motores dos membros; lesões nelas dão sinais de NMI, e lesões acima delas, sinais de NMS.

Schiff-Sherrington: o sinal que engana

Na substância cinzenta lombar existem neurônios chamados células limítrofes (aproximadamente entre L1 e L7, com maior concentração em torno de L2–L4). Seus axônios sobem pela medula e inibem os músculos extensores dos membros torácicos.

Numa lesão grave e aguda em T3–L3, essa inibição é interrompida. Resultado: os membros torácicos ficam em extensão rígida, enquanto os pélvicos estão paralisados.

Schiff-Sherrington (lesão T3–L3)

  • Torácicos rígidos, mas com reações posturais normais
  • Movimento voluntário preservado nos torácicos
  • Reflexos torácicos normais
  • Pélvicos com sinais de NMS e, em geral, paraplegia

Rigidez por lesão cervical ou encefálica

  • Torácicos com déficits de reações posturais
  • Movimento voluntário reduzido nos torácicos
  • Pode haver alteração de estado mental (descerebração)
  • Sinais de NMS nos quatro membros

O sinal indica uma lesão grave, mas não é sozinho um marcador de prognóstico ruim. O que define o prognóstico é a dor profunda nos pélvicos, assunto de dor profunda e doença do disco intervertebral.

O panículo como marcador de nível

Em lesões T3–L3, o reflexo cutâneo do tronco costuma estar ausente caudalmente à lesão e presente cranialmente. A lesão geralmente está 1 a 2 vértebras cranial ao ponto em que o reflexo reaparece. Não é perfeito (lesões parciais ou laterais podem não gerar corte), mas, quando presente, é um ótimo guia.

Na região C8–T1, o raciocínio muda: ali saem os neurônios motores do nervo torácico lateral. Uma lesão nesse ponto pode abolir o panículo de todo um lado, independentemente de onde você estimula.

A bexiga também localiza

Tipo Lesão Como a bexiga fica
Bexiga de NMS Cranial a S1 (C1–C5, C6–T2, T3–L3) Cheia, difícil de esvaziar por compressão, esfíncter com tônus aumentado
Bexiga de NMI S1–S3, raízes sacrais, cauda equina Cheia, flácida e fácil de esvaziar, extravasamento de urina

Em qualquer paciente paraplégico, avalie e esvazie a bexiga regularmente: retenção urinária e infecção são complicações comuns.

Casos curtos

Treine o raciocínio
  1. 1
    Dachshund, 5 anos, paraplégico

    Torácicos normais; pélvicos com patelar +3 e retirada presente; panículo ausente caudal a L2; dor à palpação toracolombar. Localização: T3–L3, provavelmente em torno de T13–L1.

  2. 2
    Doberman, 8 anos, marcha de duas velocidades

    Torácicos com passada curta e retirada diminuída; pélvicos atáxicos com passada longa e reflexos aumentados. Localização: C6–T2. Na raça, a espondilomielopatia cervical caudal entra no topo da lista.

  3. 3
    Gato após trauma na cauda

    Torácicos e patelares normais; perineal ausente, cauda flácida, bexiga distendida e fácil de esvaziar. Localização: S1–S3 e segmentos caudais (lesão sacrocaudal).

  4. 4
    Cão com dor cervical intensa e tetraparesia

    Quatro membros com reflexos normais a aumentados e déficits proprioceptivos; estado mental normal e nervos cranianos normais. Localização: C1–C5.

  5. 5
    Cão paraplégico com torácicos estendidos

    Torácicos rígidos, mas com posicionamento proprioceptivo normal; pélvicos sem movimento e com reflexos presentes. Localização: T3–L3, com Schiff-Sherrington.

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  1. Um cão apresenta membros torácicos com reflexo de retirada diminuído e atrofia, e membros pélvicos com reflexos aumentados. A localização é:

  2. Um cão paraplégico tem os membros torácicos estendidos e rígidos, mas com posicionamento proprioceptivo normal. A melhor interpretação é:

  3. Torácicos normais, patelar ausente bilateral, retirada pélvica diminuída e perineal diminuído. A localização é:

  4. Em um paciente com lesão T3–L3, a bexiga tende a estar:

No próximo passo da trilha, veja como a dor profunda define a gravidade e o prognóstico em dor profunda e graduação da doença do disco intervertebral.

Referências

  1. Dewey, C. W.; da Costa, R. C. Neurologia Canina e Felina: Guia Prático. São Paulo: Guará, 2017.
  2. de Lahunta, A.; Glass, E.; Kent, M. de Lahunta’s Veterinary Neuroanatomy and Clinical Neurology. 5. ed. St. Louis: Elsevier, 2021.
  3. Platt, S. R.; Olby, N. J. BSAVA Manual of Canine and Feline Neurology. 4. ed. Gloucester: BSAVA, 2013.
  4. Fossum, T. W. Cirurgia de Pequenos Animais. 5. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2021.

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